quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Quatro anos de ministério sacerdotal



Hoje recordo com saudades de uma tarde de sábado, no dia 18 de setembro de 2010. A Igreja repletas de pessoas que olhavam atentas cada gesto que este filho da querida terra de Santo Antônio do Sudoeste fazia. Eu procurava cumprimentar todos com o olhar, com o sorriso, com o levantar da sobrancelha. Era a minha ordenação sacerdotal. Não me cabia de alegria, de expectativas, de medo, de prazer.
Hoje, quarta-feira, 18 de setembro de 2014, procuro observar qual é o meu sentimento.
Primeiro me sinto incomodado com uma coisa: Por que quero continuar padre? Tentei me desvencilhar deste questionamento, mas ele não quis se desvencilhar de mim. Esta pergunta vem emaranhada com angústias e com sonhos.
“Pela longa estrada eu vou, estrada eu sou”. Estrada para quem?
Mas, voltando ao dia de minha ordenação, recordo que no final da missa, no momento dos agradecimentos, me comprometi a lutar pela juventude e pelos pobres. Era um desejo verdadeiro. Desenvolver o meu ministério com os preferidos de Deus.
Hoje trabalho “com” e “pela” juventude. Mas estou muito aquém do que me propunha. Penso que trabalhar com ela não é apenas elaborar projetos e realizar encontros. Mas encantá-la a algo que produza vida, principalmente onde a vida esteja ameaçada. É fazer com que a juventude não perca a fé, “nem a inteligência metafísica, para fixar-se apenas na física das coisas”. Essa luta com os jovens me encanta, me faz sentir padre, me ajuda a rezar.
Em relação aos pobres, me sinto fazendo “nada”. Parece que deixo sempre para amanhã. Isso soa como se não fosse prioridade. Sei que minha fé em Cristo é fortalecida por me sentir seguidor de quem Se fez pobre e sempre Se aproximou dos pobres e marginalizados. Isso me compromete.
Mas é um dia em que estou com minha família religiosa. Estamos em pleno Congresso Missionário Estigmatino. 80 confrades buscando caminhos para atingir a todos, especialmente os pobres. Fazer este exercício da busca e construção de caminhos missionários motiva a celebração destes 4 anos de ministério.
Sinto, também, uma alegria que me inquieta, que traz vontade de sair ao encontro de quem é tão “valor” e tão “desvalorizado” por estar na rua, por sofrer com este mundo capitalista que valoriza apenas quem “produz”.
Peço a Deus que ilumine meu caminho e me ajude levar Seu sorriso aos sedentos de presença, de companhia, de vida e de alegria. E que meu sacerdócio recorde sempre “a alegria do momento no qual Jesus olhou para mim.”

2 comentários:

  1. Como sempre:Palavras abençoadas!Lindo relato..
    Dayara Rodrigues

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  2. Os jovens precisam de VC.

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