quinta-feira, 13 de outubro de 2011


Na tarde de 9 de Outubro de 1777, a cem metros da paróquia de S. Paulo in Campo Marzo, em Verona, às dezesseis horas em ponto, na Rua de Soto (hoje rua Nicola Mazza), a senhora Bertoni dava à luz um menino que se tornaria importante para a cidade de Verona.
Ninguém então o teria imaginado, embora muitos dos parentes o pressentissem, porque estava sendo esperado com paciência.
Mamãe Brunora já havia decidido que, se fosse menino, seu nome seria Gaspar. Entre os antepassados, outros com o mesmo nome haviam se distinguido pelo talento e capacidade de administrar o notável patrimônio Bertoni. O último havia sido o avô do nosso Gaspar.
Embora Gaspar Bertoni tenha nascido há mais de dois séculos atrás, ele pensava e agia como uma pessoa de hoje. Basicamente, desde o princípio de sua vida, ele sabia para onde ia e tinha certeza de chegar lá. Gaspar era tanto um homem de seu tempo como à frente de seu tempo. É dito que, quando ele entrava em uma sala ou caminhava por uma rua cheia de gente, o povo o notava imediatamente. Eles ficavam instantaneamente cientes de sua presença. No entanto, não havia nada de espetacular em sua figura ou de extraordinário em sua face. Ele foi, na verdade, um tanto frágil e de aparência mediana. Assim, não era alguma coisa a respeito de sua aparência física que atraía a atenção. Até onde podemos presumir, era uma bondade interna que alcançava e tocava o povo.
Gaspar definiu o seu ideal ainda muito jovem. Quase tão cedo quanto estava capacitado a pensar, ele soube que iria ser padre. Sua vocação foi tal que nunca lhe suscitou dúvidas, que ele abraçou e foi determinado a levar em frente em um modo que faria o melhor para o maior número de pessoas. Para realizar isto, Pe. Bertoni desenvolveu uma rigorosa disciplina e ordem dentro de si mesmo que perdurou e lhe valeu por toda a sua vida. Não havia espaço para auto-questionamento, indecisão ou desencorajamento em sua vida diária.
Cedo em seu ministério, ele fundou uma escola em que procurou fornecer educação da mais alta qualidade, quando a educação para o povo era quase inexistente. Novamente, apesar de sua profunda preocupação pelas necessidades dos outros, ele edificou uma instrução que foi um dos primeiros modelos de excelência escolástica. Por não comprometer seus ideais, por não contentar-se  em simplesmente encontrar exigências civís e por ir além do que era necessário, Gaspar Bertoni foi capaz de dar aos jovens uma fundamentação em que ele edifica vidas cheias de sentido.
Mas o principal e determinante sonho de toda a vida de Pe. Bertoni era a formação de uma congregação seleta, tendo sua própria muito especial missão. O grupo, bem ao modo de uma moderna força-tarefa, seria destinado à fonte das necessidades diocesanas; corrigir a situação e depois ir à frente. Foi um sonho que sua incansável determinação fez tornar-se realidade. Os bispos, que estavam tendo dificultdades dentro de suas dioceses, vieram a conhecer e depender desta nova forma de ajuda. Por causa deste conceito ser muito à frente de seu tempo, havia muitos que duvidavam de seu valor. Mas oposição foi alguma coisa que Gaspar Bertoni dominou muito bem. Ele enfrentou isso com sua propria auto-confiança. Ele estava convencido de que sua congregação iria surtir efeito; e ele fez com que isso acontecesse.
Possivelmente o dia mais feliz de sua vida foi o dia 4 de novembro de 1816. Neste dia, Pe. Bertoni formou o núcleo de sua congregação. Mais tarde, esses homens foram popularmente chamados de Estigmatinos. A partir deste pequeno e inicial grupo de padres e irmãos cuidadosamente escolhidos, a comunidade se desenvolveu e se espalhou por todas as partes do mundo.
Ao contrário da maior parte das pessoas, Gaspar Bertoni esteve disposto a atingir um ideal. Ele arriscou investir nas chances oferecidas pelo seu tempo e lugar. E, através de auto-disciplina, educação, perseverança e fé, ele dispôs-se a dissipar completamente as forças de indiferença e dúvida. Por aproveitar estas chances, ele inspirou uma comunidade fundamentada em sua própria constituição, cujo trabalho para a glória de Deus e o bem de todo o Seu povo continua nos dias de hoje.
Fontes: Um santo para nosso tempo - Pe. Lidio Zaupa, Css